Idealizando Um "Ciborgue Lagosta"



Introdução | A Proposta | Conclusão


Introdução

Eu ja comentei em um artigo passado sobre o como eu aderi ao movimento transhumanista, me identificando dentro dele ate certo ponto com aqueles que se denominam de transespécie, mais especificamente os ciborgues modernos. Cada aspirante a ciborgue tem uma habilidade que deseja adquirir, a sua forma particular de "transcender" a sua "humanidade". Alguns pagam para que a tecnologia seja desenvolvida, outros a desenvolvem eles mesmos se tiverem o conhecimento, tempo e recursos; outros pagam para simplesmente isso ser implantado em si se a tecnologia já existir e alguns aperfeiçoam o que já existe. Podemos citar a autoridade mundial em tecnologia ciborgue, o qual atende pelo nome de Kevin Warwick. Apesar de não ter sido noticiado de forma abrangente, este implantou um chip em sua cabeça que permite que por meio de wi-fi possa controlar objetos projetados para isso a distância desde que também conectados a internet. Ele adicionalmente já implantou um chip em sua mão que permite que sinta quando apertam a mão de sua esposa, pois ela também implantou um.

Temos os geniais fundadores da "fundação ciborgue" Moon Ribas e Neil Harbisson, os quais assim como eu além da paixão pelo tema também são artistas. Neil Harbisson adquiriu a capacidade de ver um espectro maior da luz por meio de uma antena implantada em seu crânio, e com isso inaugurou um novo jeito de fazer arte. Já Moon Ribas implantou sensores em seus pés conectados a um banco de dados via internet sobre terremotos globais; ela sente terremotos globalmente e inclusive criou uma dança em que ela se movimenta de acordo com a intensidade dos tremores ocorrendo ao redor do mundo. Se não ocorrerem tremores naquele momento, ela simplesmente não dança. Temos um grande representante do tema "transespécie": Manel MuÑoz, o qual implantou "nadadeiras" em sua cabeça que permitem que ele tenha uma noção bem precisa sobre o clima ao seu redor, como por exemplo o nível de umidade e se vai chover mesmo que não pareça.

Uma empresa implantou chips do tamanho de grãos de arroz em alguns funcionarios, e através deles estas pessoas podem acessar áreas e tecnologias restritas da construção além de poderem ser monitorados quanto a sua posição no local. As pessoas que receberam implantes que devolveram a visão ou audição, elas já podem ser consideradas ciborgues em escala menor; e a nossa relação com o smartphone que nos ajuda a fazer mais do que normalmente seriamos capazes de fazer também é considerado uma melhoria cibernética apesar de mais rudimentar tendo em vista que muitos hoje em dia dependem deles e vivem perto de um. A única diferença sendo o fato dos smartphones não ser implantados em nosso corpo.

Antes de tudo isso, já existiam aqueles que modificavam os seus corpos de forma puramente estética: Do homem que simplesmente tatuou pintas de onça pelo corpo todo e afiou os dentes; passando pelo homem que se tatuou completamente de verde, pintou os olhos, bifurcou a língua e por meio de próteses sub-cutâneas alterou o rosto para parecer um lagarto; e chegando a um caso recente em que um homem modificou drasticamente a aparência para parecer um orc... Sendo algo influenciando por condições psicológicas ou uma mera nova forma de expressão de individualidade, a tecnologia transhumana já está lentamente chegando aqueles com menor poder aquisitivo e eles estão aderindo a esta em quantidade cada vez maior. Com o tempo os exemplos aumentam mais e mais em quantidade e habilidades "sobre-humanas" adquiridas... Se torna possível o artista literalmente se tornar a própria tela, a própria arte.

A Proposta

Uma modalidade de ciborgue ainda não explorada em humanos, mas já feita em animais (apesar de anti-ético) atende pelo nome de "ciborgues lagosta", e este e o interesse de alguns poucos teoricos do meio científico e igualmente é o tipo de melhoria cibernética que me interessa e eu me propus a conseguir um dia usando a mim mesma de cobaia.

Na ficção antiga já foi mencionado o que ficou conhecido como "ciborgues lagosta": Eram humanos cuja carne havia sido unida a armaduras tecnológicas que os permitiam viver no espaço normalmente além de conceder outras habilidades que humanos não teriam. Portanto, o termo incluia a palavra "lagosta" pois assim como insetos no geral os ossos ficavam do lado de fora do corpo e os músculos dentro; apesar de que no caso dos humanos eles teriam também os ossos internos. Possivelmente por ser algo extremamente drástico do ponto de vista estético, médico e sensorial, ninguém ainda ousou aplicar isso na vida real mesmo que teorias a respeitos já existam.

A maior dificuldade de concretizar isso não é o material da armadura, mais sim o fato de que a pele original teria de ser removida e substituída por um material biocompatível que replicasse pontos chaves da pele como:

O fato de retirar a pele em si apresentaria dois obstáculos:

Já existem hoje em dia materiais ainda em estudo ou mesmo já sendo usados denominados de "pele sintética", criados com células organicas e até certo ponto imitando a pele natural o suficiente para serem usados no lugar dos terríveis testes em laboratório de animais. Estes porém duram pouco tempo, tendo em vista que a pele natural está constantemente morrendo e sendo substituída e a pele sintética ainda é incapaz disso. Outro tipo de pele sintética na verdade é uma malha artificial temporária com aplicações óbvias em queimaduras graves, sob a qual uma nova pele pode crescer. Inclusive, já se pesquisa como conferir nervos a tais peles.

Todas querem imitar o orgânico e sua complexidade, mas uma pele sintética "ciborgue" é mais fácil de se desenvolver pois criar algo mais voltado ao inorgânico é mais simples. Seria irrelevante para mim sentir frio ou calor se isso não prejudicar o meu corpo por exemplo; ainda tendo um cérebro e um interior humano você não se tornaria uma mera máquina. Parte de minha proposta seria uma pele ciborgue que se integrasse aos músculos humanos, possivelmente meio artificial meio orgânica. Ela seria aplicada em pequenos quadrados e aos poucos como um monitor LED, começando pelos dedos dos pés, pés, perna inferior, perna superior... aplicar em quadradinhos possibilitaria:

Após isso ser obtido, a "armadura" seria colocada por cima desse material intermediário, facilitando uma troca futura. Seria um material mole como o silicone? Se ganharia maciez mas perderia resistência. Seria duro como o aço? Ganharia força e resistência mas perderia a maciez. Já existe a microengenharia envolvendo carbono, e possivelmente ele faria parte desse "exoesqueleto". Para obter uma resistência ao calor e frio extremos, seria necessário estudar o material que a NASA usa em suas espaçonaves.

Essa armadura poderia ser feita como uma tela de computador, de modo a poder fazer uso da tecnologia já criada e testada em uma capa da "invisibilidade" para camuflagem artificial parcial ao mostrar o que existe atrás de uma pessoa na frente de seu corpo utilizando uma micro câmera. A imaginação é o limite, quando o ser humano quer algo e possui os recursos para tal, ele faz acontecer. Outros pontos a respeito:

Para tal modificação drástica, a princípio eu creio que seriam necessários um dermatologista também cirurgião, um bioengenheiro especializado em tecnologia ciborgue, um angiologista e um reumatologista. O dermatologista conhece a pele humana como ningém, o bioengenheiro ficaria responsável pelo material intermediário e armadura, o angiologista iria ajudar com a questão dos vasos sanguíneos e sangramento e o reumatologista poderia ajudar com a questão muscular e infecções. Seria necessário um laboratório e materiais.

Conclusão

Quanto mais um ser humano se tornasse uma máquina, iria ele se tornar mais cruel? Mais altruísta? Permaneceria em essência o mesmo? Ficaria indiferente? Eu estou disposta a descobrir isso no futuro.

Caso você se sinta inspirado por este artigo e consiga antes de mim se tornar um "ciborgue lagosta", por gentileza me cite como uma das teóricas de seu projeto ou ao menos me convide para ser a primeira ou uma das primeiras "cobaias" assim que o seu projeto estiver bem desenvolvido e testado. De qualquer forma, eu gostaria de ler sobre os detalhes técnicos de seu projeto antes de qualquer coisa; eu dei a idéia de graça e espero o mesmo. O conhecimento foi feito para ser compartilhado e não para ser apropriado por alguém.



Última atualização: 2022/02/13